Ministério da Saúde confirma 42 casos e quatro mortes na cidade; especialistas da Fiocruz descartam epidemia e sugerem que gestões municipais apoiem vigilância epidemiológica para evitar novos surtos pelo país

Um surto de Doença de Chagas registrado no município de Ananindeua, no Pará, acendeu o sinal de alerta para as formas de contaminação e prevenção da doença em todo o Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, já foram confirmados 42 casos da doença, com quatro mortes registradas na região metropolitana de Belém.

A principal hipótese levantada pelas autoridades sanitárias é a de contaminação oral, que ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com o parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença. A forma oral de transmissão tem se tornado uma preocupação crescente na região amazônica, onde surtos localizados são registrados com maior frequência nos últimos anos.

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que acompanham o caso descartam a configuração de uma epidemia nacional, mas reforçam a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica municipal. "A resposta rápida e o monitoramento constante são as ferramentas mais eficazes para evitar que novos surtos se espalhem. É fundamental que as gestões municipais invistam em capacidade de diagnóstico e em ações de educação sanitária", destacou um dos especialistas envolvidos na investigação.

O Ministério da Saúde informou que está prestando apoio técnico e logístico ao município para conter o avanço dos casos. Entre as medidas recomendadas estão a investigação da fonte de contaminação, o tratamento imediato dos pacientes infectados e a intensificação das ações de controle do vetor, embora no caso da transmissão oral o foco principal esteja na qualidade e no manuseio dos alimentos.

A população de Ananindeua e região foi orientada a redobrar os cuidados com a higiene alimentar, lavando bem frutas, verduras e legumes, e evitando o consumo de alimentos que possam ter tido contato com o inseto vetor ou suas fezes.